
O "timing" é um fator decisivo para que um fato seja o acontecimento do momento, criador de revoluções que jamais deixarão de ter a sua influência. Porém, também é responsável por grandes injustiças, e pode enterrar idéias que também causariam diferenças se tivessem a atenção necessária. "Comix Zone" é um grande exemplo de um jogo esquecido pelo tempo por sair na hora errada.
Em 1995, todos os jogadores de video games estavam jogando os seus recém adquiridos PlayStations, Sega Saturns, ou esperando por um Nintendo 64. Foi nesse período em que Comix Zone foi lançado para o, já então defasado,, Mega Drive. Esse talvez seja o único motivo que fez o game perder a aparência de novidade.
Mas vamos ao jogo. Você controla Sketch Turner, um quadrinista/roqueiro que durante uma noite trabalhando na sua revista em quadrinhos, um raio atinge o personagem e o leva para dentro da sua história. E pra piorar...Mortus (o vilão) sai para o mundo real e passa a tentar matar Sketch...desenhando na revista.
Ou seja, é que nem aquele desenho do Patolino em que ele está em uma página e uma mão misteriosa fica desenhando na revista apenas para sacanear com o Patolino. Só que com porrada. E aliens. E explosões. E a mão não é misteriosa.
Igualmente único são os seus gráficos. Eles são impecáveis. 13 anos depois eles ainda impressionam. Imagine na época que ele saiu. Antes de Cel-Shading, era assim que os desenvolvedores faziam um jogo parecer desenho. E era bom.
O uso dos quadros e painéis no jogo é provavelmente o aspecto que mais chama atenção, e de longe o mais criativo. Em vez de sair de uma sala, você sai de um quadrinho e vai pra outro. Cada fase é uma página. Dos balões de pensamento e diálogos, às onomatopéias, um ambiente de uma revista em quadrinhos perfeito é criado.
O jogo é uma mistura de ação com quebra-cabeças. A ação, com um sistema de lutas que usa apenas um botão, mas muito bem implementado, já que a direção que você aponta enquanto aperta o solitário botão cria combinações diferentes. Os quebras cabeças envolvem itens, como facas, granadas, dinamites e...o rato de estimação de Sketch. É, um rato. Leptospirose não parece ser uma ameaça para alguns.
Outro ponto que chama a atenção é o uso de som. Exemplo perfeito do efeito grunge da época, o jogo é repleto de rocks dos anos 90. Sem os vocais é claro. Mesmo não tendo voz nas músicas o jogo em si tem bastante. Sejam os gritos de Sketch, à algumas falas bem nítidas. Algo bem raro em um jogo de Mega Drive.
Porém o jogo tem falhas. É curto e difícil. Muitas vezes frustrante até demais. E mesmo sendo curto, os inimigos são de certa forma repetitivos. Mas todos com uma aparência dos anos 90. Aquele charme que nos faz odiar essa década, assim como gostar.
Com gráficos de primeira, jogabilidade intuitiva, ambientação invejada por muitos jogos atuais, a única explicação que consigo encontrar para esse jogo não ser lembrado é o que apresentei no primeiro paragráfo: timing.
Comix Zone está disponível para download no Virtual Console do Wii, e custa 800 Wii Points (8 dólares) e vem muito bem recomendado por esse que vos fala.

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